Hipnose

O assunto da HIPNOSE sempre gerou controvérsia. Tem gente que acha a hipnose um jogo teatral. O hipnotizado fingiria sensações que seu cérebro não sente, querendo se iludir, mas, no fundo, no fundo, sabendo da farsa. E tem gente que vê na hipnose um estado neurológico especial. Nele, o cérebro focaria a atenção no assunto sugerido pelo hipnotizador, sem dar bola para outras informações registradas naquele momento. Ok, tudo continuaria não passando de ilusão. Mas com uma enorme diferença: o cérebro é que seria iludido, sentindo de fato o que o hipnotizador lhe sugerisse. Seria possível até ver o cérebro sendo enganado. Pela primeira vez, neurologistas conseguiram enxergar um cérebro hipnotizado. Graças a exames que registram as áreas cerebrais ativadas durante o transe, o mistério da hipnose começa a ser decifrado. Aliás, é exatamente isso o que está fazendo um grupo de cientistas ­que estarão se reunindo no primeiro congresso conjunto de Neurociência e Hipnose, na Universidade de Roma, em setembro deste ano, para explorar o cérebro e as funções da mente com apoio da ciência de imagens de última geração recolhidas com Ressonância Magnética Funcional (fMRI), Tomografia pó Emissão de Pósitrons (PET) e Tomografia por Emissão de Fóton Único (SPECT).

Durante a hipnose, o cérebro passa a ignorar os sinais enviados pelo sistema límbico – que controla as sensações de dor, medo, fome e prazer.

Ainda falta muito para aprender tudo sobre os mecanismos da dor. O que sabemos é que os neurônios transmitem as mensagens; se se corta um nervo ou se bloqueia quimicamente, as mensagens não poderão ser enviadas ao cérebro. Se isso acontecer, não se pode sentir nenhuma sensação.

É no cérebro onde se realiza a verdadeira interpretação das sensações, inclusive aquelas que experimentamos como dor.

Uma das descrições mais universalmente aceita da forma como atua a dor, formulada pelos doutores R. Melzack e P. Wall se conhece como “Teoria da Porta”.

Segundo esta teoria, quando uma enfermidade, lesão ou outra moléstia estimula os neurônios, a mensagem é “telegrafada” ao cérebro. No caminho esta mensagem é interceptada, primeiro na medula espinal, e depois em diferentes regiões do cérebro.

Numa região talvez a mensagem seja traduzida a um reflexo. Ao encostar a mão numa chaleira quente, o reflexo nós impulsa a retirá-la antes de registrar a sensação de queimadura. Isto é como se tivesse comprometida uma reação pré-registrada.

Em outra parte do cérebro, possivelmente, se decodifica a natureza da dor. Percebe-se se é uma dor aguda, latejante, fisgada, surda, se mexe ou não: em linhas gerais, como é a dor. E talvez em outro local do cérebro parte da mensagem se traduz em moléstia, desgosto ou o desejo urgente de que a dor desapareça.

Como funciona o alivio da dor pela HIPNOSE?

Talvez seja possível separar as diferentes “regiões interpretes” e isso é o que acontece durante a hipnose.

Os doutores Melzack e Wall descrevem os efeitos da hipnose na dor: “A hipnose muda a forma de sentir a dor. Se pode desconectar a região interprete que sente o horrível, o desagradável da dor, mas pode continuar percebendo, o local onde esta e que é sem sentir moléstia”

Existem muitas técnicas, que usamos durante nossas sessões com hipnose para conseguir esta separação entre a sensação e os sentimentos de desconforto e moléstia. As mais usadas são o desvio de atenção, com atividades ideo-sensoriais e ideo-motoras, e o trabalho com imagens.

A dor é interpretada na cabeça, mas o estimulo pode estar em qualquer parte do corpo, inclusive a cabeça. Tem vezes que se experimenta dor sem que exista nenhuma causa aparente no corpo. Isso se conhece como dor psicogênica, é originada na mente. Talvez a mente utilize essa sensação de dor para comunicar que existe um problema ou um desequilíbrio psicológico. A mente e o corpo estão unidos de maneira muito profunda, e não se podem separar. Por isso a dor que se origina na mente afeta claramente o corpo.

Um tipo de dor que ilustra esta união intima entre a mente e o corpo, é conhecido como “dor fantasma das extremidades”. Esta dor a sentem pessoas as quais se lhes amputou uma extremidade, e continuam sentindo uma dor horrível no lugar do membro amputado, como se e tivesse ainda aí.

As observações com apoio da ciência de imagens e as do fenômeno hipnótico apóiam o conceito de que a experiência da dor, ou sua ausência, é ao mesmo tempo psicológica e física. O fato de que as pessoas possam sentir dor sem que existam causas orgânicas, sugere que o cérebro pode também iniciar as mensagens de dor (ademais de recebê-los e interpretá-los).

Estas sensações dolorosas podem ser tão “reais” e tão intensas como se o estimulo proviesse de uma lesão.

Diferente dos fármacos e compostos para diminuir ou eliminar a dor, nas técnicas de hipnose não existe nenhum nível de tolerância. Os benefícios se vão gerando e ficando mais fortes com a prática. À medida que passa o tempo e cresce a experiência com a auto-hipnose, é provável que aumente a duração dos períodos de alivio.

A analgesia hipnótica funciona para todo e qualquer tipo de dor.

Sabemos que a dor é um alarme contra ladrões. Avisa-nos de um perigo imediato. “Cuidado, atenção!”

É importantíssimo fazer um bom reconhecimento medico e um tratamento apropriado para qualquer possível lesão ou doença. Mas, quando a dor continua depois de ter cumprido sua missão, é possível aliviá-la com as técnicas de hipnose, e assim eliminar a dor innecessária.

Algumas dores, incluso as crônicas e de grande intensidade, se aliviam desde o inicio dos trabalhos com hipnose e auto hipnose. O mais comum é que se note uma mudança positiva já nas primeiras sessões. Em outros casos, se notarão resultados ótimos após de várias sessões de uso e pratica da hipnose. Algumas pessoas experimentam o alivio de forma imediata. Outras sentem os resultados positivos depois de varias horas de sua primeira sessão.

O sucesso depende muito das pessoas, origem, tempo e causas da dor e até da capacidade e habilidade do operador (hipnologo).