Fisioterapia
A atuação da fisioterapia no Centro Multidisciplinar da Dor (CMD) é muito abrangente porque visa não somente o controle da dor como também a reabilitação física. Com o vasto arsenal terapêutico e de avaliação, os tratamentos conseguem potencializar o efeito dos medicamentos, diminuindo o seu consumo, por muitas vezes exagerado. Além disso, o fisioterapeuta oferece informações sobre as práticas de auto cuidados, variando desde orientações ergonômicas e domiciliares até a prática de exercícios físicos, contribuindo desta forma para intervenções físicas de baixo custo e menor efeito colateral. Por outro lado, o fisioterapeuta é um importante elo no contexto da interdisciplinaridade. O acompanhamento muito próximo, semanal, com o paciente através do toque e de orientações terapêuticas visando a aproximação do indivíduo com seu corpo, permitem dimensionar a dor e o sofrimento associado, em seu contexto biopsicossocial.
No passado, as modalidades físicas para tratar dor e incapacidade eram consideradas empíricas. Hoje, com os avanços da neurofisiologia, modulação e percepção da dor e o desenvolvimento de meios tecnológicos como a ressonância magnética funcional e o estudo de campos magnéticos cerebrais mostram sua importância como parte do tratamento da dor e os efeitos sobre o sistema neuromusculoesquelético e da neuroplasticidade
As técnicas fisioterapêuticas de tratamento são capazes de modular (controlar) a dor nos seus diversos estágios de processamento. Modalidades passivas como a eletrotermofototerapia, terapia manual, bandagens funcionais possuem grandes efeitos analgésicos periféricos e centrais, porém em curto prazo. As modalidades que enfatizam o aprendizado motor, treino de atividades funcionais, posturas do dia-a-dia e exercícios aeróbicos têm melhores resultados em um longo prazo, pois são estratégias ativas e conseguem mudar as áreas de ativação cerebral através da neuroplasticidade, além de organizar e coordenar o bom funcionamento do sistema neuromusculoesquelético.
Os fisioterapeutas são considerados guias ou educadores de movimento e lidam diretamente com a incapacidade funcional. Por isso ensinam os pacientes sobre o comprometimento do corpo pela dor, como se movimentar de maneira correta e segura nas atividades de vida diária, como devem usar as estratégias de enfrentamento de acordo com suas demandas físicas. Os fatores onde próprio paciente busca alívio de sua dor podem ser usados como estratégias de enfrentamento, por exemplo, o uso de calor em banhos ou bolsas térmicas, relaxamento, massagem, alongamentos, posturas confortáveis. Os problemas físicos trazidos pelos pacientes são muito parecidos, pois afetam, de maneira geral, dimensões em comum: auto cuidados, trabalho, em casa, lazer, práticas de esportes, convívio e relação social. Entretanto, a maneira com que cada paciente irá enfrentar e lidar com essas situações difere e individualiza o tratamento.
A fisioterapia preconiza uma atuação física e de aprendizado para os pacientes com dor crônica. Uma equipe multidisciplinar integrada e unida pode estar mais preparada para compreender melhor a relação mente e corpo, identificar os componentes biológicos, psíquicos e sociais, sabe que o controle da dor não significa ausência de dor ou cura e que a qualidade de vida pode ser a chave do sucesso do tratamento.
