O Histórico da Dor

Publicado em 19.11.2009
Categoria(s) Destaques

A percepção do significado da dor vem sendo modificada através dos tempos e dos contextos históricos e culturais. Os significados filosófico, político e religioso da dor definem o sofrimento dos indivíduos através de história humana.

Os povos primitivos entendiam a dor quando havia alguma lesão aparente, como cortes e feridas, mas não conseguiam entender a dor de origem interna. Rituais de magia para o alívio da dor eram comuns nos primórdios das civilizações e permaneceram assim ao longo dos tempos e nas mais diversas culturas.

Na antiguidade, os motivos da dor e do sofrimento faziam parte da reflexão de estudiosos e de filósofos. Aristóteles ensinava aos seus discípulos das artes que a dor faz parte do conceito mais profundo na nossa definição como seres humanos vivos. Nos estudos médicos, do mesmo momento histórico, como o de Hipócrates no seu livro “On the Nature of Man” a dor é definida como uma característica humana. Hipócrates utilizava ervas para o alívio da dor e prescrevia determinado tipo de folhas para as mulheres em trabalho de parto.

Durante a Idade Média a dor tinha um significado muito grande nos contextos espiritual e religioso. A celebração ou uma aceitação resignada do sofrimento e da dor refletem as atitudes comuns deste período que permeia a cultura ocidental ao longo dos tempos. No entanto, na idade média, com o advento de diversas escolas de medicina, as discussões acadêmicas enfatizavam sempre os motivos das causas da dor. A polêmica entre os diversos professores e estudiosos variava desde o entendimento de que a dor faz parte de uma maldição bíblica (Dino Del Garbo, (d. 1327)), até a definição e o desenvolvimento de caracterizações dos quadros dolorosos e dos diversos tipos de dor (Pietro d’Abano (c.1250-c.1316).

Ao longo dos tempos o conceito sobre o significado da dor permaneceu dividido entre um mistério divino (necessidade de sofrimento para espiar as nossas culpas) e alterações na função do corpo humano. No período da Renascença, Leonardo da Vinci e seus contemporâneos passaram a acreditar que o cérebro era o órgão central responsável pelas sensações. Além disso, o grande Leonardo da Vinci postulou a teoria de que a coluna vertebral era a responsável por carrear as informações para o cérebro. Mas, foi o matemático e fisiologista René Descartes quem primeiro propôs uma ligação entre a sensação periférica e o cérebro.

O alívio da dor dos pacientes foi sempre um grande desafio para os médicos de todos os tempos.

No fim do século XIX e no início do século XX, com o desenvolvimento da ciência, a cada momento mais se compreendia e se aprofundavam os estudos sobre a anatomia, a fisiologia, a neurologia, as diversas áreas da medicina e a psicologia. A evolução de um grande número de substâncias analgésicas e anestésicas (clofofórmio, opium, morfina, codeína) não só permitiram o desenvolvimento de inúmeras técnicas cirúrgicas, bem como de outras técnicas para o alívio da dor, além de medicações orais como a aspirina, até os dias de hoje um dos medicamentos mais utilizados no mundo. Este conhecimento acumulado permitiu que os cientistas passassem a ter um maior entendimento do funcionamento não só do corpo, mas da importância de olhar o ser humano.

A saúde é fruto dos equilíbrios físico, mental e espiritual. Qualquer pequena alteração, seja ela anatômica, fisiológica ou psicológica pode alterar este tênue equilíbrio e, em muitos casos, desencadear quadros de dor.

Posts Relacionados