Acolhimento: O Tratamento para a Dor deve ser Multidisciplinar

Publicado em 16.05.2009
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A dor é um sinal de alerta, um sintoma comum a várias doenças. Ela chama a nossa atenção quando algum órgão do nosso corpo, pele, músculos, órgãos internos estão sendo agredidos de alguma forma. Precisamos dela para identificar o local atingido no nosso corpo e poder tratá-lo. Quando a própria dor vira uma doença, isto é, quando ela perde esta função de alerta e preservação, ela precisa de um tratamento específico, assim como qualquer doença. A Dor Crônica, portanto, não pode ser tratada somente com analgésicos e repouso, ou mesmo uma cirurgia; O paciente que sofre com dor crônica necessita de uma intervenção em várias partes do mesmo indivíduo, de forma sinérgica, e que possa compreender todas as faces que compõem a vida de um paciente que sofre com dor.

O tratamento mais indicado atualmente para a Dor Crônica é o resultado do trabalho conjunto de vários profissionais de diferentes áreas e de uma mesma equipe, falando uma linguagem comum e tendo como metas comuns o alivio da dor e o aumento da qualidade de vida do paciente, através da recuperação da funcionalidade e do conseqüente retorno às atividades de vida diária.

O tratamento inicia e é acompanhado pelo médico especializado no tratamento da dor, o Clínico de Dor. Na consulta clínica, o médico avalia todas as possíveis causas para dor, solicita exames complementares que o ajudem a formular um diagnóstico, além de afastar doenças que possam ser a ou ter sido a causa desta dor. Iniciamos por estabelecer o plano de Reabilitação para Dor específicamente deste paciente avaliado, através de protocolos específicamente configurados para sua dor ou sofrimento específicamente. A partir daí junto com os outros profissionais da equipe multiprofissional indicados para iniciar o tratamento. A medicação, além de ter como objetivo muito mais do que propiciar alívio para a dor, o noso maior objetivo é facilitar o esquema de reabilitação proposto, agindo também no Sistema Nervoso Central, intervindo em fatores como a tendência que o cérebro tem a estar mais “sensível” aos estímulos dolorosos quanto maior for o tempo em que sentimos dor, por exemplo. Esse efeito algumas vezes é obtido com a interação de várias medicações diferentes. É possível prescrever um antidepressivo ou um anticonvulsivante para a dor, em doses diferentes das prescritas para Depressão ou convulsões e é relativamente comum encontrar esses medicamentos no tratamento medicamentoso para o paciente de Dor Crônica.

Dependendo da patologia, algumas vezes é necessário que um médico especialista acompanhe a Reabilitação. Dessa forma, se a Dor é ocasionada por uma doença reumatológica, é preciso que haja o acompanhamento do reumatologista, por exemplo. Por conta disso, é possível que o tratamento seja acompanhado por médicos tais como ortopedistas, reumatologistas, psiquiatras, geriatras ou fisiatras.

Em alguns casos, é necessária para o tratamento da dor uma intervenção cirúrgica. Existem dois tipos que são utilizados: as cirurgias “abertas” e as cirurgias minimamente invasivas. As cirurgias abertas ou cirurgias de coluna visam intervir em possíveis danos que o Sistema Nervoso Central (medula) possa vir a sofrer ou esteja sofrendo em função de hérnias discais ou degenerações das vértebras da coluna. Já os procedimentos minimamente invasivos têm um caráter menos interventivo e tem a função de otimizar o tratamento multidisciplinar, de diferentes formas. Exemplos destes são os procedimentos que utilizam técnicas de neuromodulação por radiofreqüência pulsátil e outros intradicais paras dores discogênicas com a anuloplastia ( conhecida internacionalmente pela sigla IDET ), entre outros.

Não existe a fisioterapia mais indicada para o paciente com dor, existe uma avaliação personalizada que possa contemplar dentro de sua sintomatologia outros aspectos muito importantes como a postura em seu trabalho, a forma como dorme e outras características de sua vida diária e laboral. Somente após uma detalhada anamnese e um estudo da vida e biomecânica deste paciente em particular que elegemos uma técnica fisioterápica. Entretanto depois muitos anos de estudos e conhecimentos oriundos de grandes centros nacionais e internacionais de pesquisa em dor podemos notar que independente da técnica empregada (Técnica de inativação de ponto gatilho por digito pressão, Mobilização Neural, RPG, Rolfing, terapias manuais, osteopatia, Maitland entre outras), ela deverá ser empregada por um profissional que tenha experiência e formação comprovada no tratamento de pessoas que sofrem com dor. Ela é descrita como Fisioterapia dentro da Reabilitação em Dor. Ele não só é habilitado a tratar a patologia que está originando a dor, decorrente de fatores como más posturas, doenças da coluna vertebral, entre outras, como também tem o conhecimento específico que permite saber como a sua intervenção pode favorecer da forma mais adequada ao indivíduo com dor, sendo esta ou qualquer outra técnica empregada dentro de um modelo de abordagem multidisciplinar que esteja em conjunto com outras especialidades indispensáveis no tratamento global deste paciente.

Porque os fatores psicológicos influenciam e são influenciados pela dor, o acompanhamento psicológico é fundamental do acompanhamento do indivíduo com Dor Crônica. Ter uma dor que limita vários aspectos da vida com o tempo, produz sofrimento para o ele e para os que o cercam e é comum o aparecimento de disfunções psicológicas importantes, tais como Depressão e transtornos ansiosos que devem ser tratados. Somente a ajuda de um profissional capacitado em conjunto com uma equipe preparada para esse atendimento, podem auxiliá-lo a recuperar a sua qualidade de vida e auto-estima, preparando-o para a retomada das suas atividades de vida diária.

A acupuntura tem sido de grande importância no tratamento da Dor. Ela não trabalha em conjunto com a Fisioterapia no alívio da dor e otimizando o trabalho de Reabilitação como também, da mesma forma que a medicação, atua na maior sensibilidade do cérebro aos estímulos dolorosos, intervindo nas alterações sofridas após um longo tempo de convívio com a Dor (veja o texto: ’Você sabe o que é Dor Crônica?’). Além disso, ela pode ajudar o corpo a produzir as substâncias analgésicas que diminuem com a Dor Crônica. Ela também pode intervir em fatores importantes no aparecimento da dor como o stress e nos transtornos do humor.

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